Um conceito cada vez mais usado é o de economia circular, que surge como contraponto à economia linear, que é o conceito usado em praticamente todos os sistemas produtivos atuais. Esta última trabalha com processos produtivos em três fases distintas: coleta e preparo de recursos e/ou matérias primas, o processo de produção em si e o descarte dos resíduos. E este processo não é apenas para processo industriais, serve para praticamente todos os processos que utilizamos no nosso dia a dia, como cozinhar, por exemplo. Vamos fritar um ovo? Você primeiro compra os ovos, tira da embalagem (que é descartada), quebra as cascas (que são descartadas), usa gás e óleo para fritar (que se for usado em excesso também será descartado), com isso gerando calor e fumaça e, por fim, coloca o seu ovo frito no prato. Se estiver com muita fome, limpa o prato e sobra pouco para mais um descarte. Caso contrário, mais descarte ainda…
Já a economia circular parte de um princípio diferente. Este sistema econômico tem como duas características principais: a eliminação do desperdício e o uso contínuo dos recursos. Os sistemas circulares empregam reutilização, compartilhamento, reparo, reforma, remanufatura e reciclagem para criar um sistema fechado. O resultado é, de um lado, a minimização do uso de recursos e, de outro, a menor produção de resíduos, incluindo redução na poluição e menores emissões de carbono.
Assim, a economia circular trabalha em um conceito que implica em um uso mais produtivo e eficiente dos recursos. Tudo o que seria considerado como resíduo na economia linear deve se tornar matéria-prima ou parte de outro processo na economia circular: o que era subproduto ou resíduo de um processo passa a ser matéria-prima para outro processo, ou como recursos regenerativos para a natureza.
Este é um sistema que pode trazer ganhos ambientais importantes, sem perdas para os consumidores ou para quem produz. Em primeiro lugar implica que é possível ter um mundo com uso sustentável de recursos sem queda na qualidade de vida (seja por não reduzir a oferta ou impactar no preço dos produtos) dos consumidores. Já para os produtores isso pode significar que não haverá perda de receita ou custos extras, com modelos de produção tão ou mais rentáveis (considerando a maior produtividade e uso mais consciente dos recursos) em relação aos modelos lineares.